Estaria disposto a ser você, ainda que isso possa ser desconfortável?

Para quem já fez algum curso comigo, sabe como costumo exemplificar para explanar sobre algo. Access pode ter um vocabulário peculiar para quem não conhece a técnica, e busco então trazer as ferramentas em uma linguagem mais acessível a todos.

Todos buscam uma fórmula mágica de sucesso. Baseada então em fatos reais, vou mostrando que a fórmula mágica de sucesso é: Sendo Você, Mudando o Mundo! Aliás é um livro, que sempre recomendo.

Hoje, usando como base um filme e o documentário sobre a vida do maior diplomata, alto comissário das Nações Unidas, que o mundo já conheceu: Sérgio, o brasileiro que transformou seus ideais em realidade.

Quando os colegas de trabalho descrevem-no, a palavra mágica é muitas vezes utilizada. Considerado como um solucionador de problemas, alguém que falava com as pessoas mais perigosas do mundo, e fazia mágica.

Em Access, uma das ferramentas principais é ficar no interessante ponto de vista e não ter pontos de vista fixos sobre nada. O que é o bem ou o mal, o que é o certo ou errado, sempre dependerá da perspectiva de quem está fazendo o julgamento.

Um homem que em sua época de estudante, pregou contra o imperialismo, jogou pedras na polícia de Paris, e então em uma das maiores histórias de sucesso humanitário da ONU, foi até nomeado vice-rei de Timor Leste, enquanto as eleições eram organizadas. A Sérgio, foram dados todos os poderes de um ditador concedido pelas Nações Unidas mas ele jamais ditou nada, não tomou uma decisão sequer que os timorenses discordassem.

Sérgio Vieira de Mello conseguiu resultado concreto de sucesso dentro de uma longa e cara missão internacional da ONU no Camboja, algo que se tornou muito mais do que uma história de sucesso humanitário, ao fazer algo que jamais havia sido feito antes: foi conversar com a liderança genocista no “quartel general” deles, um acampamento hostil no meio do nada; atravessou campos minados, tão distante que não havia qualquer meio de comunicação possível e foi chamado de louco pelo motorista. Para a maioria das pessoas, eram criminosos de guerra e deveriam ser punidos. Aos que lhe disseram isso, Sérgio apenas respondia com um largo sorriso: “Pare de ser moralista”. Para Sérgio, as coisas não eram preto no branco. Após discutir com os “homens maus” por uma noite e um dia, 400.000 refugiados puderam retornar às suas casas e Timor Leste tornou-se um país independente.

Access tem uma definição sobre consciência que é: o lugar que inclui tudo e não julga nada. Veja, se Sérgio fosse como todos os demais, buscando apenas o julgamento, jamais essa história teria o final de sucesso que obteve. Se não julgássemos mais nada, o que mais nós conseguiríamos mudar e que criaria um futuro mais expansivo para toda a humanidade?

A ferramenta que mais utilizamos em Access são perguntas. Uma das perguntas bastante intrigantes é: E se o propósito da vida for se divertir?

Tristeza, amargura, desânimo, quando surgem, faça a pergunta: Quem estou sendo aqui? Pois certamente você não está sendo você.

Falando um pouco de mim, em todos os meus trabalhos, certamente o quesito diversão foi e continua sendo primordial, ainda que na época eu não usasse essa palavra; afinal o quão errado parece você dizer que se diverte trabalhando? Então era mais como um: “Ah, estou entediada!”, e lá ia eu em busca da próxima aventura.

Quando eu trabalhava com organização de missões comerciais, conheci vários diplomatas em diversos países. Uma certa vez, eu sendo a 3ª mulher brasileira oficialmente a ir desacompanhada ao Irã, o chefe dos diplomatas do Itamaraty me disse que se eu fosse, ele também iria. E foi mesmo! Nos conhecemos em uma festa na residência do embaixador. Lá ouvi algo que jamais esqueci: a arte da diplomacia é você mandar o cara ao seu lado, tomar no c… sorrindo. No documentário sobre Sérgio, há uma cena assim, em que ele esbraveja energicamente contra um jornalista e sorrindo.

Em Access, falamos muito sobre o leve e pesado: aquilo que é leve para você é verdadeiro para você, enquanto o que é pesado para você não é verdadeiro para você. Muitos acabam mal interpretando isso como me agrada ou não agrada, gosto ou não gosto, quando na verdade, o leve e o pesado justamente deveria ser utilizado para tirar-lhe desse lugar. Podemos ouvir algo que nos é extremamente desconfortável, que não agrada aos nossos pontos de vista, que neste caso geralmente são fixos ou seja, são limitantes, e ainda assim ter leveza.

Por fim, voltando ao documentário, na cerimônia da ONU em homenagem aos mortos em um atentado à sede do organismo em Bagdá, em que Sérgio Vieira de Mello foi uma das vítimas, Kofi Annan, Secretário Geral da ONU, no pronunciamento sobre Sérgio:

“Por que você nunca pareceu cansado mesmo trabalhando 18 horas por dia?

Por que você nunca pareceu amargurado mesmo depois de um vôo de 18 horas?

Por que nunca ficou doente?

Por que nunca ficou mal-humorado?

E você era o único alto funcionário da ONU conhecido por todos pelo seu primeiro nome. Mesmo para quem não o conhecia pessoalmente, você era sempre apenas o Sérgio.”

Como alguém poderia ficar cansado ou amargurado ou doente ou mal-humorado divertindo-se, ou seja, sendo quem de verdade é, transformando seus ideais em realidade, fazendo mágica? E se ser você for a única coisa que se requer para mudar o mundo?

Ah, a foto anexada, vamos ver se você me reconhece? Então eu sou a única mulher, ali atrás, toda coberta, na missão do Irã com na época Ministro, Celso Amorim. E antes que você se pergunte o motivo de eu estar praticamente escondida na foto… A maior parte da minha vida passei fugindo de fotos, e imaginem meu drama, sendo uma figura pública. Esse era um dos pontos desconfortáveis que eu tinha, que simplesmente desapareceram depois de Access, de um dia para outro, sem que eu sequer percebesse. O que mais é possível?

E você estaria disposto a ser você, ainda que isso possa ser desconfortável? Apenas uma garantia posso lhe dar: pode ser desconfortável porém será super divertido!

Um grande abraço, torcendo por você,

Naomih